Vamos tornar-nos mais civilizados?

domingo, 12 de abril de 2009

As Baltazar Garzon's cá do Pântano

Dizerem-me que o Poder político é fraco, é tão informativo para mim quanto dizerem-me que dois mais dois são quatro. 
Afirmarem-me que a população portuguesa, na sua esmagadora maioria, é ignorante e que toma como referências ídolos que são de uma mediocridade confrangedora, é o mesmo que me dizerem que o céu é azul. 
Quando olho para a TV e me deparo com um programa dedicado à vida privada de quatro Procuradoras Gerais Adjuntas, a coisa já ganha o carácter informativo que uma folha de papel higiénico em segunda mão pode assumir. Qualquer programa de qualquer canal de pornografia hard-core seria menos obsceno. A coisa torna-se nojenta, tão nojenta quanto nojento me parece o Garzon, "nuestro vicino", que só por analogia para aqui é chamado. 

In illo tempore, em circunstâncias particularmente lamentáveis para mim e a que vos poupo, tive de ler um sujeito chamado Montesquieu que, entre outras, escreveu numa língua bárbara uma obra que intitulou "O Espírito das Leis". Nela, o autor, entre muitos outros aspectos, fixa as condições sine qua non para a existência de um regime democrático e, aproveitando conhecimentos de outros já mais antigos, reafirma a Justiça como um pilar do edifício democrático.

Ora, sabendo-se que a Justiça, por via do comportamento dos seus agentes, se deve mostrar recatada, equidistante, equilibrada, discreta e, sobretudo serena, parece-me tudo isto ter faltado às quatro distintas magistradas quando acederam a participar naquele desastre televisivo, na situação mundana que escolheram.

O que me leva directamente ao ponto seguinte: é que quando a Justiça começa a fabricar "estrelas", deixou de o ser e algo de podre há nela. A realidade parece dar-me razão e hoje já não me espanta antes ou depois de ouvir qualquer vedeta do futebol afirmar que prognósticos só no fim do jogo, ouvir na Rádio a Procuradora Geral Adjunta Cândida Almeida a afirmar o traquejo dos Delegados do Procurador e o dito a afirmar que não há pressões nenhumas e que vai abrir um inquérito. 

Não duvido do traquejo, resta-me saber em quê. Será na abertura de inquéritos?

Tenho de deixar de ouvir rádio e de ouvir televisão, sob pena de me serem passados autênticos atestados de estupidez todos os dias. Sim, prefiro o silêncio. O silêncio. Façam-na pela calada!

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1 comentário:

Teresa Maria disse...

Estrelas de um filme "porno-chiq" em que se transformou a justiça!